Doenças do ouvido

Surdez súbita

A surdez súbita é definida como uma perda de audição de instalação súbita ou rapidamente progressiva, em minutos, horas ou até poucos dias. É geralmente unilateral, embora raramente possa acometer os dois ouvidos. Ocorre por comprometimento do ouvido interno (cóclea) e pode variar na intensidade e frequência sonora acometidas. Em alguns casos o paciente nem se dá conta da queda da audição e pode notar, por exemplo, apenas o surgimento de zumbido ou sensação de ouvido tampado.

Além da perda auditiva súbita em geral unilateral, o zumbido ocorre em cerca de 70% dos casos, podendo aparecer antes ou depois da perda auditiva. Ele pode desaparecer ou permanecer e gerar mais incômodo e ansiedade do que a própria perda auditiva. Tontura e vertigem ocorrem em até metade dos casos e, em geral, são leves e transitórias.

Como se trata de alteração do ouvido interno, o exame físico é, em geral, normal.

O exame de audição (audiometria) confirma a perda, seu grau e frequências acometidas.

Outros exames também podem auxiliar no diagnóstico como impedanciometria, BERA, emissões otoacústicas, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética.

Várias são as possíveis causas da surdez súbita. No entanto, na maioria das vezes, ela ocorre como um quadro isolado e nenhuma etiologia é encontrada, sendo então considerada idiopática. Apenas entre 20% e 30% dos casos consegue-se definir uma causa. Entre elas podemos citar:

Infecções: na maioria das vezes viral e é considerada pela maioria dos autores como a principal causa de surdez súbita. Pode ocorrer em um quadro evidente como na caxumba, sarampo ou com sintomas leves de uma infecção viral corriqueira que nem chama a atenção do paciente;

  • Vasculares: por trombose, embolia ou espasmo do vaso que nutre o ouvido interno;
  • Autoimune: embora nas maiorias das vezes a surdez de origem autoimune ocorra de forma progressiva e bilateral, em alguns casos pode se manifestar como surdez súbita;
  • Ototoxicidade: uso de medicamentos que potencialmente afetam o ouvido interno como alguns antibióticos aminoglicosídeos, furosemida (diurético), AAS, dentre outros;
  • Tumoral: o neurinoma – tumor do nervo da audição se manifesta na maioria das vezes como surdez progressiva, mas em cerca de 10% dos casos pode se manifestar como surdez súbita;
  • Traumática: Pode ocorrer no trauma crânio encefálico, trauma sonoro significativo, trauma pressórico (por exemplo em mergulhos ou durante pouso/decolagens de avião).

 

A evolução do quadro é também bastante variada.  Em alguns casos pode ocorrer melhora espontânea total ou em graus variados. Em outros , apesar dos tratamentos, o paciente permanece com sequela que pode chegar à perda total da audição.

Existem diversos tratamentos citados para surdez súbita. Quando se tem uma causa identificada, o tratamento é dirigido para ela. Nos casos idopáticos, várias intervenções são propostas como uso de corticoides, antivirais, vasodilatadores, anticoagulantes, oxigenioterapia hiperbárica, hemodiluição. A grande maioria carece de comprovação científica, sendo o uso corticoide o principal método que se mostrou eficaz até o momento. A corticoterapia pode ser sistêmica (em geral via oral) ou intratimpânica (administração do medicamento direto no ouvido médio, através do tímpano) buscando maior concentração do medicamento no ouvido interno.

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