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Ronco e apneia do sono

O ronco é um ruído provocado por estreitamento da via aérea superior, principalmente da faringe. Quando o ar passa por uma região estreita faz vibrar suas estruturas, originando o som característico. A presença do ronco é um alerta para a suspeita da apneia obstrutiva.

A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio caracterizado pelo colabamento da faringe durante o sono, impedindo o fluxo de ar apesar do esforço respiratório, levando a uma parada da respiração. É caracterizada pela cessação do fluxo inspiratório durante o sono, por um período mínimo de 10 segundos, na presença de esforço respiratório. A inspiração gera uma coluna de pressão negativa que predispõe à obstrução do espaço aéreo. O esforço respiratório que se segue não consegue vencer esta resistência e então ocorre a apneia. A maioria dos eventos dura entre 10 e 30 segundos, mas ocasionalmente, podem durar 1 minuto ou mais. A apneia é acompanhada pela queda do oxigênio no sangue.

O aumento do esforço para vencer a resistência e ativação simpática (via do sistema nervoso autônomo) culminam na superficialização do sono ou mesmo despertar. Como consequência ocorre aumento do tônus muscular e o paciente volta a respirar.

Colapso de via aérea observado na apneia obstrutiva - Dra mariana Denaro

Colapso de via aérea observado na apneia obstrutiva

As causas do colapso são multifatoriais. O tamanho da via aérea superior, que é significativamente afetada pela obesidade e alterações craniofaciais tem papel central.

 

Diagnóstico

Os principais sintomas da síndrome da apneia obstrutiva são fadiga, sonolência diurna, déficit de atenção, dificuldade de memorização, diminuição da libido, irritabilidade. Em crianças, as principais manifestações são  hiperatividade e baixo rendimento escolar.

Existem vários questionários que tem o objetivo de predizer a presença de distúrbio respiratório do sono bem como quantificar a sonolência diurna.

O exame físico destes pacientes pode evidenciar obesidade, aumento da largura do pescoço, retrognatia (projeção do queixo para trás), aumento das amígdalas, estreitamento de via aérea, desvios septais e deformidades nasais. A hipertrofia adenoamigdaliana é a principal causa de apneia em crianças.

Exame típico de paciente com apneia

Exame típico de paciente com apneia

Pacientes apneicos tem a via aérea com menor diâmetro, o que facilita o colabamento. A diminuição do lúmen se dá não só pelo depósito de gordura mas também pelo espessamento das paredes musculares.

O diagnóstico da apneia obstrutiva do sono requer a polissonografia durante a noite inteira, considerado exame padrão ouro. A polissonografia quantifica estes eventos, nos informando o índice de apneia / hiponeia por hora (IAH), além de evidenciar a presença de dessaturação da oxihemoglobina acompanhando estes eventos, distúrbios do ritmo cardíaco, alterações na arquitetura do sono, posição corporal e fases do sono em que ocorrem os eventos, presença de ronco, dentre outras informações.

Classifica-se como apneia leve se IAH for menor ou igual a 15, moderada se for entre 15 e 30 e como grave se for maior que 30 (14).

 

Tratamento

O tratamento da Síndrome da Apneia Obstrutiva varia de acordo com sua causa e grau de severidade. O tratamento padrão ouro para apneia grave e moderada é o uso de aparelhos de pressão positiva (PAPs) como CPAP e BIPAP. Estes também estão indicados para pacientes com apneia leve e sonolência excessiva diurna.

A cirurgia de avanço maxilo mandibular é uma opção para apneia grave em casos específicos, como em pacientes com alterações esqueléticas que não se adaptam ao CPAP . Ronco primário e apneia leve podem ser tratados com aparelhos intraorais e cirurgias como adenotonsilectomia e uvulopalatofaringoplastia.

Tratamento com CPAP

Tratamento com CPAP

 

Exemplos de aparelhos intraorais

Exemplos de aparelhos intraorais

 

Complicações

A apneia obstrutiva do sono leva a várias complicações. Sabe-se que a apneia obstrutiva do sono é fator de risco independente para doenças endócrinas e cardiovasculares.

Relaciona-se com diabetes, hipertensão arterial sistêmica e doenças cardiovasculares como AVC, doença coronariana, insuficiência cardíaca congestiva e arritmias.

Por isso é importante o diagnóstico e tratamento desta condição médica.

Complicações da apneia obstrutiva do sono

Complicações da apneia obstrutiva do sono